Yves J
Criado em 9 de Janeiro de 2009
Yves J. Albuquerque é produtor e Game Designer da Kranio
Studios.
Desenvolvedor, formado em Multimídia para Jogos Digitais e
estudante assíduo da ludicidade. Orgulha-se em ser jogador desde os tempos mais ermos quando
tinha que colocar o disquete flexível de 5/4 para jogar Gatrol em seu XT de tela de fósforo verde ou
Pong em seu Tele-jogo ligado a uma antiga televisão com seletor para até 13
canais.
Mestre de RPG e fã incondicional de tudo que é fantástico, estranho, bizarro e
surreal. Destaca-se como incentivador da indústria nacional de Jogos Eletrónicos. É combatente
voraz contra o modelo educacional de instrução não participativa e entende que os jogos, como
qualquer mídia, devem poder fazer uso de sua liberdade de expressão a fim de proporcionar uma
experiência mais interessante ao jogador.
Você pode seguí-lo no Twitter em www.twitter.com/YvesAlbuquerque
Emoções
postado por Yves J
| 8 de Fevereiro de 2009
Estava, então, em um desses momentos particulares, pensando que assunto abordar no próximo texto dessa coluna. Resolvi ser guiado pelos comentários da coluna anterior. É a forma mais interativa e que mais parece relacionar-se ao tema da coluna.
Escrevo este texto com muita dificuldade e pesares pela morte de meu cachorro, Namke. Namkitos sempre esteve ao meu lado e me presenteou com sua teimosia, esperteza, e demonstrações repentinas de afeto. Sua morte reflete sua personalidade e insistência de sempre seguir suas vontades, mesmo sabendo que o que fazia era errado. Esta característica, que sempre o tornou tão único, ficará de legado para as gerações futuras de filhotes e seu pêlo macio, branco e preto, olhos apertados e astutos ficarão para sempre guardados na memória.
Desculpem a mentira do último parágrafo, mas, mesmo nunca tendo existido, Namke lhe fez engolir em seco e lhe despertou diversas emoções. Propositalmente, você foi afetado.
Não é somente o que é dito, mas como é dito.
Os diversos significantes do parágrafo traduzem-se em sentimentos de perda e de lamento. Foram técnicas simples para gerar comoção. Você é então levado a entristecer-se e, conforme vai interpretando os signos explícitos, através de diversos mecanismos de repetição, seu cérebro vai associando a uma enormidade de outras experiências que reforçam e preenchem muito do que não é dito. A informação é levada, inconscientemente, ao seu "Eu" e, portanto, você fica afetado com a notícia da morte do pobre Namke, o cachorro que nunca existiu.
Primeiramente, vamos entender que a emoção nasce em diferentes partes do cérebro em algo conhecido como Sistema Límbico. Basicamente a sua Amídala Cortical, o Hipocampo, o Córtex Pré-frontal e a Via Dopaminérgica fazem chover Dopamina no Núcleo Accumbens que dispara ao Septum, ao Hipotálamo, ao Lobo Frontal e ao Giro Cingulado Anterior. Se você não entendeu patavinas, lembre-se que, no final, isso tudo faz o jogador chorar quando Casavir morrer ou ficar feliz da vida quando vencer Chrono Trigger.
Através de Ressonância Magnética Funcional e Eletroencefalografias podemos notar os pontos despertados por cada estímulo e, dessa forma, monitorar a reação emocional a essas percepções. As aplicações desse monitoramento pode nos informar, exatamente, os momentos em que o jogador está ficando entediado e os momentos em que ele está ficando frustrado. Essa análise aplicada também nos chamará atenção para um ponto que, provavelmente, você leitor gritará e armar-se-á com seu sabre de luz pronto a dilacerar minha cabeça e defenestrar este portal clicando no X ali do cantinho do seu browser. Jogos não despertam o sentimento de tristeza. Socooooorro... caaaaalma ..., eu explico.
Não é exatamente que eles não sejam capazes disso, só que esse sentimento nunca foi notado pelas eletroencefalografias da vida, pelo menos não em momentos de interatividade. Todos estes momentos em que você chorou durante o jogo eram percepções passivas. Cinemáticas, textos e demais recursos em que não havia interatividade no momento. Sentimentos próximos a tristeza são despertados durante a interatividade, mas não exatamente "a tristeza" (salvo por eventos que lhe despertem algum forte trauma de sua vida pessoal).
Um homem livre, chamado Divad, foi meu professor em certa ocasião. Divad falava-me que, para gerar emoções, devíamos construir elementos profundos e interessantes. Estas duas características complementam-se, mas possuem vida
Enquanto o Interessante responde pela singularidade dos elementos, ou seja, características únicas, estéticas e comportamentos distintivos, o profundo possui suas raízes bem mais no âmbito da psiquê humana e valores apreendidos.
Vinculamos-nos, emocionalmente, por exemplo, a entidades que passam a impressão de mais fracas, como minorias, deficientes, idosos, Namke, mulheres e bebês, e por entidades pelas quais sentimos gratidão como: libertadores, mestres, sábios e sanseis. Quando misturamos essas duas características e Namke lhe salva, roendo a corda que lhe prendia a um reator nuclear prestes a explodir, temos uma emoção ainda mais profunda.
A superação, o auto-sacrifício, o confrontar de comportamentos reprimidos, a defesa por valores morais, o místico, o segredo não revelado do personagem arrependido, o espiritual, a morte de um personagem que gostamos, o fim incerto, a sabedoria, preocupações, dúvidas filosóficas profundas, saber que Namke possui filhotes e diversos outros recursos transformam o estado de seu "Eu" através de um estímulo externo, que é significado e gera a necessidade de um estado de equilíbrio. Este estado, normalmente, desencadeia um impulso.
Seja como for, cada vez mais, jogamos. Jogamos com nossos jogos concientes, com nossos jogos inconcientes, com nossas emoções, com nossas respostas e, com isso, crescemos experimentando tudo que nosso campo das possibilidades permite que exploremos a fim de nos constituirmos em seres mais completos e maduros.
OBS: Agradeço a meu lobo, Billy, por emprestar suas características ao cachorro fictício Namke.
Bourne
disse:
5 de Abril de 2009 às
beleza?
Márcio_Filho
disse:
28 de Março de 2009 às
Mais uma vez arrasou na coluna Yves!
Yves
disse:
27 de Março de 2009 às
Tema da próxima coluna: Beleza
Yves
disse:
16 de Março de 2009 às
@Vivi,Bourne
disse:
15 de Março de 2009 às
nossaSidney Fontinele
disse:
10 de Março de 2009 às
Valew Yves, obrigado por mais umas dicas de como desenvolver um bom jogos.
_Naty_
disse:
9 de Março de 2009 às
hum sim... o Yves já comentou sobre o Billy e imagino q ele seja realmente lindo, adorooo cachorros e admiro muito esta raça... =D
Vinicius Busch
disse:
9 de Março de 2009 às
So corrigindo... acho que o nome certo eh: Husky Siberiano mas td bem uahuahua da pra entender neh ? Como o Yves msm fala..."Na internet vale tudo" xD
Vinicius Busch
disse:
9 de Março de 2009 às
ahauhAUHAUu era brincadeira Naty...mas ao contrario do Namke , o Billy existe e é o nosso cão ^^ de raça Hunsky Siberiano , nem precisa falar nd da beleza do animal neh ? ^^ Pela raça da pra ter uma ideia do "lobo" citado pelo Yves xD Ele ja eh meio velhinho mas e muito bunito. Quem sabe você um dia você não o conheça uAHuahuahu bjs
_Naty_
disse:
9 de Março de 2009 às
oloco Vinicius... olha q eu nem conheço o Billy... hauhauhauhau ^^
Vinicius Busch
disse:
9 de Março de 2009 às
Mandou bem dinovo Yves,mas a Naty comparar nosso belíssimo cão Billy com o Yves uahuHUhauhuah foi mais triste do que ver milhões de jogos e graficos de encher os olhos lançados para PS3,Wii e 360, sem poder compra-los ^^. Pois bem... Concerteza esse lado dos Games que nos emocionam existem, tanto diretamente quanto indiretamente( quando você sente algo como "Isso, conseguir zerar finalmente!!!" , essa também é uma emoção que muitos têm e podem nao percerber hehehe , mas em particular nunca tive um momento em que durante um jogo fiquei triste como citado acima, mas concerteza todos nós demonstramos algum nervosismo ou um medo durante os mesmos. Quem nunca ficou nervoso por não completar uma musica no Guitar Hero bem no finalzinho ???? Quem nunca ficou com medo durante um batalha desleal se comparado ao tamanho ^^ contra um gigante Colossu em Shadow of Colossus ??? Shadow of Colossus foi um dos , se não o maior jogo que me despertou isso, principalmente ao enfrentar akela Enguia ENORMEEEEE nakele mar sem fim ^^ , concerteza juntamente com akela musica de fundo , desperta uma grande emoção ao jogar esse jogo. Foi um post bem legal e muito interessante. Debater sobre emoções que os jogos despertam é bem o jeito do Yves AhuhuHUhuaUHa lembro de quando jogavamos Zelda para 64 e quando finalmente deixamos ele grande pela primeira vez ^^ foi grande a emoção , mas nada comparado ao fim do jogo , quando depois de dias e noites jogando desesperadamente ( Eu so assistindo é claro. Quem disse que ele deixava eu jogar nas partes emocionantes? heheheh brincadeira ) para zerar o jogo, nós finalmente conseguimos e foi akela alegria que so quem jogou e zerou consegue sentir. Bom acho que escrevi d + e vo ficando por aki xD abração a todos, e continue assim Yves !!!
Vivi Werneck
disse:
8 de Março de 2009 às
Aahhh... Lembrei de todos os personagens em games que mexeram comigo! Chorei ao final de Oblivion e quase me matei de frustração quando, num descuido, deixei um personagem que eu amava em Neverwinter Nights morrer. Realmente o jogos tem essa "mágica" de nos deixar de queixo caído e, para mim, um jogo não é digno se não me emocionar de alguma forma... Ótimo texto meu querido, como sempre! Bjinhus... 8>
_Naty_
disse:
8 de Março de 2009 às
Como sempre mandou muito bem Yves!!!Bourne
disse:
8 de Março de 2009 às
q isso heim yvesPara comentar é necessário estar logado.

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