Batemos um longo papo com o jovem por trás de um blog retro imperdível!
Por Thiago Netto
Hoje, uma edição bônus da série exclusiva e que alcança patamares de sucesso cada vez maior. No Blogando o Brasil dos Games especial de domingo, trazemos um exclusivo bate-papo com Adney Luis, carioca de 29 anos apaixonado pelos games antigos.
O Game Retrô Brasil, blog administrado e escrito pel Adney, prima não pelo número de postagens, mas sim pela qualidade dos mesmos. Como vocês poderão observar na conversa abaixo, Adney é minucioso em descrever cada detalhe, de forma a enriquecer a leitura e aprimorar as sensações do leitor.
O papo - um dos mais longos da série até o momento - traz histórias do mundo dos games vividos durante a década de 1980/90, a triste realidade da passagem de alguns personagens do 2D para 3D, entre outros. Uma conversa imperdível!

Adney Luis, que garante não ter ficado assim de tanto jogar games.
EArenaGames: Adney, inicialmente, gostaria de agradecer pela oportunidade da entrevista concedida.
Adney Luis: Eu é que agradeço pela oportunidade.
EArenaGames: Ao contrário do que muita gente pensa que achará na internet, que são as novidades absolutas na velocidade da luz, você resolveu fazer um blog sobre os games de antigamente, o início de tudo. Por quê?
Adney Luis: Cara, foram vários motivos.
Bom, antes da concepção do blog (no final de 2007/começo de 2008), quando eu era um simples leitor, ao navegar pela internet, via inúmeros blogs brasileiros de games, muitos adicionando um toque de nostalgia em relação aos jogos, mas nenhum que tratasse exclusivamente disso, dos games de antigamente. Claro que mais tarde tive conhecimento de alguns, como o Gagá Games, o Game Nostalgia, mas ainda assim a proporção era ainda desigual.
Além disso, tenho 29 anos, ou seja, vivi a chamada “época de ouro dos videogames” no Brasil, no final da década de 80/início da década de 90, onde tínhamos comerciais da Nintendo e da Sega rodando direto nas TVs, videogames a preços acessíveis, as locadoras de games satisfazendo a vontade de inúmeros gamers, os arcades dominando o cenário de jogatina fora de casa,etc.
Somado a isso, ainda temos o fato de que essa maravilhosa indústria avançou de forma vertiginosa e exponencial durante essas duas décadas, e que muitos dos atuais jogadores em potencial (que estão na faixa dos
Então, por causa desses motivos, eu resolvi ir meio que na contramão da maioria dos blogs de games, e me dedicar a mostrar principalmente para os gamers mais novos um pouco não só dos jogos mais antigos, mas também de como era viver aquela época maravilhosa, onde todo esse cenário fabuloso começou a ser construído. Até porquê em hipótese nenhuma devemos renegar o passado.
EArenaGames: Aliás, como os games entraram na sua vida?
Adney Luis: Cara, foi aos seis anos que tive o primeiro contato com eles, quando o meu irmão (que tinha 10 na época), pegou emprestado o Atari de um amigo dele. Isso foi em 1986. Não precisa nem dizer que fiquei maravilhado com aquela invasão de cores (poucas, é verdade, hehehe...) na tela, com a possibilidade de poder controlar todas as ações do personagem que aparecia na minha TV. Claro que naquela época eu não cheguei a jogar, mas aquilo foi suficiente para me chamar a atenção.
Três anos depois, os meus pais deram o passo definitivo para que me tornasse um gamer. Eles me deram um Super Charger de presente, com o jogo “Top Gun” (para quem não sabe, no final da década de
EArenaGames: Como amante dos games antigos, há uma grande dificuldade para achá-los em seus originais, não? Como você faz para aumentar o seu acervo?
Adney Luis: Sim, a dificuldade é bem grande mesmo. Tanto é que nem tenho uma coleção vistosa de videogames antigos. Tenho o meu Super Charger ainda funcionando, o Super Nintendo, o Dreamcast, e o Nintendo DS. Ainda estou começando a minha coleção. Além disso, é bem difícil você encontrar um videogame em bom estado de conservação e a um preço justo.
Por conta disso eu pesquiso muito antes de comprar, além de utilizar sites de leilão como o Mercado Livre, o eBay, e o Second Spin. E também recorro aos emuladores para poder reviver aquela época, especialmente quando eu planejo escrever para o blog, para poder dar uma opinião bem abalizada sobre o jogo.
EArenaGames: De todos os games antigos, qual deles não foi bem quando chegou para consoles mais recentes? E quem conseguiu evoluir com maestria?
Adney Luis: Bom, uma dupla óbvia para ser citada aqui nessa pergunta seria “Mario” e “Sonic”. Mas acho que todos já sabem a história deles, hehehe...
Uma franquia que para mim evoluiu muito bem para mim foi “Metroid”. Especialmente com a série Prime, onde muitos fãs acharam que a transição para uma visão em primeira pessoa era o indício de que a série se transformaria num FPS descerebrado, o que não aconteceu. E a Nintendo ainda produziu mais dois excelente jogos 2D para a série (falta agora um para o DS, hehehe...). “Castlevania” foi outro que evoluiu muito bem (apesar do Castlevania: Jugdement...). “Mega Man” também continua maravilhoso desde que foi lançado.
Agora, uma franquia que não conseguiu acompanhar bem a evolução... Aliás, vou citar uma empresa ao invés de um game: a SEGA, apesar de alguns acertos, não lembra nem de longe aquela empresa que brigava de igual para igual com a Big N nas décadas de 80/90. O que ela faz com o “Sonic” é digno de prisão perpétua (risos!).
Ah, acabei de lembrar de uma série que não anda bem das pernas na minha opinião... “Final Fantasy”! Exceto pelos remakes lançados para o GBA e o DS, nenhum dos outros jogos atuais da franquia me agradaram. Parece que a Square-Enix perdeu o encanto da sua galinha dos ovos de ouro. O último que foi relevante para mim foi o “FF VII” (que não é o melhor como muitos dizem, esse posto é do VI e é indiscutível!!!).
EArenaGames: Qual game é inesquecível para você? E se pudesse ‘ressuscitar’ um console, qual seria?
Adney Luis: Sem pestanejar: “Super Metroid”, do SNES. Já falei isso no meu blog, “Super Metroid” para mim é o jogo perfeito, e Samus Aran o melhor personagem de um game. Esse foi o primeiro jogo que me deixou alucinado a ponto de jogá-lo incessantemente durante meses. Foi esse jogo que me fez sentir emoções mais profundas pela primeira vez. Essa obra-prima jamais vai ser igualada.
Quanto a “ressuscitar” um console, a resposta é simples: nenhum. A justificativa também é simples: nenhum console relevante morreu, uma vez que ainda existe todo um mercado para eles, seja nos sites de leilão ou nas feiras de domingo. Enquanto houver um retrogamer cuidando da sua coleção com bastante carinho, enquanto houver encontros de retrogamers, enquanto alguém estiver ligando o seu NES de quase 20 anos e jogando “Super Mario Bros.” na sua TV à moda antiga, nenhum console relevante virá a falecer.
EArenaGames: Por fim, deixe uma mensagem para as pessoas que leem essa entrevista no EArenaGames.
Adney Luis: Mas já! Estava pronto para um interrogatório de mais de três horas!!!! (risos)
Bom, primeiro, esperam que tenham gostado dessa entrevista. Segundo, deem valor aos consoles antigos, aos jogos antigos. Os videogames já possuem uma história de mais de 50 anos, se pegarmos desde os primórdios. Não apenas joguem, reflitam sobre eles, discutam a relevância deles, tenham orgulho de ser um gamer e façam com que cada vez mais pessoas entrem nesse mundo maravilhoso. Mostrem que não nos tornaremos psicopatas em potencial apenas porquê jogamos.
E por fim, um pouquinho de propaganda básica: eu, junto com mais dois blogueiros (o César Martins, do First Stage; e o Leo, do Gamer Atrasado) lançamos o que acreditamos ser o primeiro podcast de games brasileiro exclusivamente retrô: o Retrocast! E já chegamos chutando a porta, falando sobre os Arcades, aquelas maravilhosas máquinas de diversão que consumiam todo o dinheiro do seu lanche diariamente. Baixem e opinem sobre ele, já que é a nossa primeira experiência com podcasts!
Os links para o Retrocast:
http://gameretrobrasil.blogspot.com/2009/04/36-finalmente-retrocast-01.html
http://firststage.wordpress.com/2009/04/28/retrocast-01-arcades/
Bom, é isso! Até a próxima e bons games a todos!
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