Home > Notícias
fonte: A A


Blogando o Brasil dos Games. Episódio #13: Maurício e Rodrigo.

Entrevistamos as inteligentes vozes do SoundTest

 

Por Márcio Filho

 

Para blogar, é necessário escrever? Ou boas conversas e opiniões inteligentes em voz e vídeo também entram na categoria?

 

Se sua resposta for sim, a aceitação do convite para ler esta entrevista é obrigatório. Se a resposta for não, a obrigação é a mesma, pois, não tenho dúvidas, mudará sua opinião. Mudou a nossa.

 

Depois de ouvirmos as inteligentes opiniões e conversas do primoroso SoundTest, podcast realizado por Maurício Carvalho e Rodrigo Salsa, tivemos a certeza de estar de frente para um dos mais bem "escritos" blogs do país, apesar de haverem poucas letras na tela.

 

Gamers experientes, Maurício e Salsa tiveram a oportunidade de viver a época mais gloriosa - até agora - dos games no país e durante este nossa interessante bate papo, puderam nos contar sobre isso, a hegemonia do Wii no mercado, a chegada da Sony no Brasil e muito mais. Mesmo.

 

Aproveite e delicie-se!

 

As vozes por trás do premiado SoundTest. Maurício (esq.) e Salsa (dir.)

 

EArenaGames: Gostaria de saber como e quando começou a ideia do podcast?

Rodrigo Salsa: Bom, nós sempre nos reuníamos para conversar sobre videogames. Ás vezes saíam discussões acaloradas, cheias de idéias interessantes.

Volta e meia eu comentava: "Devíamos ter gravado isso". Em 2006, os podcasts estavam engatinhando, estava lendo sobre o assunto e pensei, “por que não?” Propus ao Maurício que começássemos a gravar nossos bate-papos para disponibilizá-los na internet.

O primeiro episódio veio em maio de 2006, bem na transição da geração anterior para a atual, então assunto é o que não faltava.

 

EArenaGames: E o nome, como surgiu?

Maurício Carvalho: O nome é uma alusão direta a Sound Test, que era muito presente nos jogos mais antigos, até a metade da década de 90, área onde o jogador podia ouvir os sons e musicas que eram tocadas durante o jogo.

 

EArenaGames: Aproveitando o gancho, como vocês enxergam a atual geração frente as anteriores? Já podemos dizer que o Wii ganhou essa guerra atual, ou a chegada do Project Natal pode alterar o cenário?

Maurício Carvalho: Eu acho que a atual geração é tão evolutiva quanto às anteriores. Eu inclusive identifico que no mercado de videogames a cada 10 anos há uma "grande revolução". Foi assim no meio da década de 80 com a chegada do NES, foi assim no meio da década de 90 com a popularização dos jogos em CD e em 3D, e tá sendo agora no meio dessa década, com essa evolução na interface e nos controles.

Talvez essa geração seja até um pouco mais importante pro futuro dos videogames porque o Wii é um produto um tanto quanto diferente dos outros. Acredito que ele veio mais para abalar, e obteve sucesso. Prova disso é a corrida da Microsoft e da Sony atrás da nova revolução dos controles, com o Project Natal e o novo controle do PS3.

É difícil prever, mas acho que o Wii ainda terá seu espaço mesmo depois da chegada do Project Natal. Eu vejo o Wii como um produto com uma identidade muito única no mercado.

Rodrigo Salsa: No que tange à "guerra dos consoles", enxergo duas vertentes. Uma em que o Wii corre praticamente sozinho, com jogadores casuais, que não precisam se inteirar muito do mercado, em grande parte formado pelos novatos no mundo dos videogames. Esse mercado, antes inexplorado, é uma fatia apetitosa, e nessa área a Nintendo reina absoluta até agora, com o Wii e o Nintendo DS.

Numa outra corrente temos o PS3, Xbox 360 e os PCs, onde há uma guerra de fato, pois há um mesmo nicho a ser disputado, que é o público mais "hardcore", apesar de nós odiarmos essa terminologia, eheheh.

 

EArenaGames: Essa chegada desses novos jogadores ao "mundo dos games" mudou as configurações do mercado. Onde vocês enxergam vantagens nessas mudanças? E o que foi prejudicial para os jogadores "hardcore"?

Maurício Carvalho: A vantagem que sempre vi nisso foi o fim da marginalização do videogame. As pessoas, os que não jogavam e não tinham contato com isso, às vezes julgavam algo que não conheciam. Generalizando, os gamers eram anti-sociais e assassinos em potencial. Com essa nova acessibilidade ao videogame, as pessoas agora têm a oportunidade de conhecer esse tipo de entretenimento.

Acho que não ha nada de prejudicial nisso. Muitos gamers achavam que com o Wii e DS, o mercado ia parar de fazer jogos para "hardcores". Mas na verdade é que os públicos são diferentes, ambos consomem jogos e, em 90% das vezes, consomem jogos de estilos diferentes. Há mercado para todos.

Rodrigo Salsa: Os jogadores veteranos (vamos chamar assim) tiveram muito medo de que as produtoras abandonassem os orçamentos milionários e debandassem apenas para a produção de jogos "casuais". Eu acredito que o mercado acaba se auto-regulando. É inegável que assim que o Wii foi lançado, isso aconteceu de alguma forma. Mas depois que a bolha estourou, pararam os exageros e tudo voltou ao normal.

Como o Mauricio disse, há espaço para todos. E como o Satoru Iwata disse na E3 este ano, ainda há um contingente de pessoas a serem conquistadas, que admitem que ainda podem ser jogadores, em pesquisas realizadas.

 

EArenaGames: Vamos falar um pouco de mercado brasileiro: como vocês receberam a notícia da chegada da Sony e sua família PlayStation no Brasil? Acham que eles vão realmente "mudar o mercado", forçando o governo a adotar impostos mais baixos para o setor?

Maurício Carvalho: Há uns nove anos atrás, quando eu era um forte “evangelizador” de videogames no Brasil, numa época que eu imagino ter sido uma das piores, onde o videogame não tinha uma gota de reconhecimento aqui, eu nunca imaginaria que veria as grandes fabricantes do mercado presentes oficialmente no Brasil de novo.

Com certeza, a presença da Sony e da Microsoft no Brasil é algo muito benéfico para o mercado. Com certeza tem tudo para ser o inicio do forte crescimento do nosso mercado. Pelo menos é a esperança que a gente sempre tem.

Rodrigo Salsa: É difícil prever. Li em alguns lugares que a Sony pode ter essa força, por estar envolvida na produção de eletrônicos e empregar muitas pessoas no Brasil. É triste ver um lançamento de PC a 99 reais. Enquanto um lançamento de console sai por mais de 200 reais.

A questão, no entanto, é muito mais profunda. É cultural. Compramos uma geladeira e pagamos uma porcentagem considerável do preço final em impostos. Como no Brasil os impostos são sempre altos, e embutidos nos preços finais, fomos nos acostumando a não enxergar essa parcela que o governo leva e não nos devolve de forma proporcional em serviços públicos.

Se houvesse pessoas de bom senso entre nossos legisladores, o "case" dos automóveis seria seguido em todas as áreas do comércio.

A redução do IPI em automóveis fez as vendas aumentarem, nos últimos três meses houve quebra de recordes históricos no setor. O governo ganhou menos em cada automóvel, mas arrecadou muito mais no final das contas. Essa mentalidade está presa a uma época de sonegação quase absoluta. Hoje o país amadureceu o suficiente para aplicarmos esse novo modelo, diminuir a carga tributária e arrecadar mais no volume. Todos saem ganhando.

Maurício Carvalho: Os impostos que incidem sobre o videogame no país provavelmente são descendentes ainda da época que o Brasil tinha reserva de mercado.

É algo que provavelmente não foi revisto justamente pela pouca visibilidade que o mercado de videogames tem no Brasil. Então, ninguém dá a mínima e as coisas não mudam. Por isso, quanto mais visibilidade o mercado ganhar, seja da Sony, da Microsoft ou da própria comunidade gamer, melhor.

 

EArenaGames: Vamos aproveitar que estamos falando de Brasil e falar de uma iniciativa genuinamente brazuca: Zeebo. O que pensam dele? O modelo de negócios, de vendas online sem mídia física, pode realmente combater a pirataria? Tem força para competir com o PS2?

Maurício Carvalho: Na minha visão, o Zeebo tem uma estratégia muito bem pensada. Ele tenta atingir o mercado do Wii, porém, nos mercados emergentes. O Zeebo tem o apelo casual do Wii, inclusive ele tem um controle com acelerômetro, porem, não é tão caro quanto o Wii é nos países emergentes. É como se o Zeebo tapasse o buraco que o Wii não conseguiu por causa do preço.

Isso porque, um dos fatores que fazem o Wii ser um sucesso, é o preço. Mas esse fator acaba que não existindo nos países emergentes como o Brasil, por causa de impostos ou economia fraca.

O modelo de venda de jogos eu acredito ser muito seguro, pois é descendente do modelo de distribuição de conteúdo dos celulares CDMA, controlada pela Qualcomm. É um sistema que já existe há muito tempo e que pelo menos eu desconheço de algum caso de pirataria. Por isso, ao contrário da maioria, eu ainda acho que o Zeebo não concorre com o Playstation 2.

Rodrigo Salsa: Falando no assunto, eu às vezes me pergunto quantos milhões de PS2 há pelo Brasil afora, em sua quase totalidade comprados por vias ilegais. É triste ver isso, as oportunidades jogadas fora por burrice do governo...

 

EArenaGames: Falando sobre o podcast, como foi ganhar o 3º lugar no Prêmio Podcast 2008, no voto popular?

Maurício Carvalho: Ah cara, isso foi muito gratificante mesmo. Mas o que a gente mais gosta, o que nos deixa realmente motivados, é quando o retorno que os ouvintes dão coincidem exatamente com o nosso objetivo. É um sinal que a nossa mensagem está sendo passada.

Vejo o 3º lugar no Prêmio como um modo dos nossos ouvintes nos recomendarem para outras pessoas. Um modo de dizer que gostam e compreendem o que ouvem.

Rodrigo Salsa: Exato. Eu, pelo menos, tenho de vez em quando questionamentos do tipo: "Será que alguém nos ouve?" E quando recebemos mensagens discutindo cada assunto abordado no podcast, questões, críticas, etc., ou quando acontece algo como o prêmio, sinto aquela revigorada, e ficamos loucos pra gravar o próximo!

 

EArenaGames: Vamos falar agora um pouco de vocês: contem para os nossos leitores onde moram, como começaram a jogar e que jogos marcaram a vida de vocês.

Maurício Carvalho: A gente mora em Belo Horizonte. No meu caso desde criança sempre tive fascínio com videogames. Lembro que passava horas vendo meu primo jogar “Pitfall” no Atari, isso lá pro 5, 6 anos. Quando ia aos shoppings, meu lugar preferido eram os fliperamas. Lá pelos 6, 7 anos ganhei um Atari 2600 e pronto, foi o inicio de tudo.

Costumo dizer também que sou da geração TecToy, pois jogava no Master System do meu primo e tive um Mega Drive, que acho que foi um console muito marcante pra mim. Foi quando comecei a comprar revistas de videogames, e me interessar muito pelo assunto, mercado, etc.

Jogos específicos é difícil dizer. Mas gosto principalmente de jogos de corrida como “Out Run”, luta como “Street Fighter” e “Virtua Fighter” e, por influencia do [Rodrigo] Salsa, jogos que chamamos de bizarros, como shooters musicais, puzzles, simuladores japoneses.... 

Tudo que tenha um algo a mais, que fuja do padrão e que tenha, digamos, um traço artístico, quase que um game artesanal, me interessa.

Outro fascínio que sempre tive é o de jogos sociais. Ou seja, jogos cooperativos, competitivos, mas que envolvem mais de uma pessoa jogando. Gosto dessa interação. Gosto muito de jogar online ou, principalmente, com outras pessoas pessoalmente.

Rodrigo Salsa: Eu nasci e sempre morei em Belo Horizonte. Como nasci na década de 1970, tive o privilégio de testemunhar o nascimento e popularização progressiva dos games. Minha "carreira" começou nos fliperamas, peguei “Asteroids”, “Space Invaders”, “Galaga”, “Pac-Man”, “Donkey Kong” e todo o resto. Jogava Atari e Odyssey na casa dos amigos, e meu primeiro console doméstico foi um Intellivision, que funciona até hoje.

Sempre fui fascinado pela evolução da tecnologia nos games, gráficos vetoriais, sprites, paletas de cores e coisas do gênero. Adorava ir aos fliperamas. Às vezes nem jogava, ficava só apreciando a evolução das máquinas.

Também tenho dificuldade pra eleger jogos, cada época teve um jogo que me fascinou.

Fui "Seguista", na época do Master System e do Mega Drive.

Também adoro jogos pouco convencionais, excêntricos, em especial os japoneses. Coisas do tipo “Vib-Ribbon”, “Rez”... Ah, sem esquecer que eu peguei coisas extintas, como os pinballs (os famosos “fliperamas de bolinha" de madeira!). O caminho é longo até aqui eheheheh...

 

EArenaGames: Bom gente, infelizmente, estamos chegando ao fim da entrevista. Queria agradecer a atenção de vocês mais uma vez e pedir que deixem uma mensagem para quem nos lê agora no EArena Games.

Maurício Carvalho: Eu queria dizer para os que estão lendo, seja ele um jogador, ou um desenvolvedor, ou apenas um curioso, que olhem ao redor de vocês e se não gostarem de algo, vejam o que podem fazer para tentar mudar aquilo. A insatisfação é o gatilho para a mudança. E isso não vale apenas para o mercado de videogames no Brasil.

Como disse, já fui um grande “evangelista” do mercado de videogames no Brasil, e isso acabou me levando a pensar não apenas nos problemas que um gamer tem, mas pensar que antes de ser gamer, eu era um cidadão.

Acho que é isso: tentem enxergar além do entretenimento. Jogos, assim como filmes, livros e outras formas de expressão do ser humano têm mais a ensinar do que apenas a salvar a princesa no menor tempo possível.

Rodrigo Salsa: Só lembrando, é uma honra participar dessa entrevista. A iniciativa de vocês de mapear o mercado brasileiro é genial, e sentimo-nos honrados de estar aqui.

Quero reforçar essa reflexão ao leitor: vamos lutar pela redução da carga tributária e pela mudança da mentalidade desse país, no sentido de nos tornarmos menos expectadores e mais atuantes em relação ao que acontece por aqui. Depende de nós. E para os momentos de descontração, dê uma conferida no nosso podcast. Espero que você se divirta tanto ao ouvi-lo quanto nos divertimos ao gravá-lo. Um grande abraço!

 

Contatos: Blog / Twitter do Maurício / Twitter do Salsa

 

Saiba mais sobre a série "Blogando o Brasil dos Games".



Bookmark and Share

Deixe aqui seu comentário!

Para comentar é necessário estar logado.



Fórum
Preview
Massive Action Game
PS3

Game trará recorde de jogadores simultâneos em partidas frenéticas!

E-commerce
O Poderoso Chefão II

R$ 99.00

Metroid Prime 3 - Corruption

R$ 259.00

Wii Fit c/ Balance Board

R$ 699.00

Publicidade