Falamos sobre o Select Game, o GameDev, indústria e mais!
Por Márcio Filho
Conduzir um blog já é trabalhoso? Conduzir um blog e trabalhar, que tal? E conduzir três blogs, trabalhar e escrever minuciosos textos e ainda conseguir ter vida social? Impossível? Parece que não.
Abaixo, vocês terão a oportunidade de conhecer uma irriquieta mente pensante, por trás de dois dos mais badalados gameblogs brasileiros: o Select Game e o GameDevBR. O terceiro blog citado é seu blog pessoal, que apesar de não ter sido foco desta entrevista, vocês poderão conhecer através da personalidade, opiniões e história de Rodrigo Flausino, o entrevistado de hoje.
No Select Game, Rodrigo e sua turma comentam aquilo que acontece no cotidiano da indústria dos games no mundo, com opiniões interessantes sobre o mercado de entretenimento eletrônico. No GameDevBR, acompanhado de outra trupe de altíssimo nível, nosso entrevistado fala sobre o cenário de desenvolvimento de games no país: ferramentas de desenvolvimento, tutoriais, principais eventos.
Em nossa conversa, com esta quantidade sem-fim de temas, discorremos sobre uma infinidade de assuntos, traçando comparativos entre o mercado nacional e internacional, os motivos de nossa "inanição" frente o resto do mundo, eventos e - de verdade - muito mais. Entrevista absolutamente imperdível!

Rodrigo Flausino, o multi homem dos blogs Select Game e GameDevBR.
EArenaGames: Rodrigo, primeiramente, gostaria de agradecer pela atenção dispensada
Rodrigo Flausino: De boa.
EArenaGames: Vamos começar fazendo uma apresentação sua aos leitores. Conte-nos profissão, idade, onde mora...
Rodrigo Flausino: Moro em Varginha, sul de Minas Gerais, tenho 24 anos e sou formado
EArenaGames: Rodrigo, quando pensou na faculdade, relacionada a área de TI, em algum momento pensou em trabalhar com games? Como surgiu o blog GameDevBR?
Rodrigo Flausino: Eu escolhi o curso porquê a minha mãe falou que era pra fazer algo "que desse dinheiro". Antes eu queria fazer história, mas como o campo é menor (e os salários menores) eu decidi fazer sistemas de informação primeiro. Não pensava em mexer com desenvolvimento de games e queria fazer três áreas específicas de TI: direito em TI, computação gráfica e segurança. Então durante o curso eu fui eliminando essas "matérias" do meu interesse e descobri, através da revista Mundo Estranho, que existia a área de criação de games. Antes essa área não me passava pela mente até ler sobre isso e decidir fazer algo relacionado.
Então eu comecei a frequentar o fórum da UniDev e fui interagindo com os outros usuários, conversando, aprendendo coisas básicas de desenvolvimento de games e outros. Quando acabei a faculdade eu abri o meu blog pessoal e fui comentando sobre games, gamedev e outras coisas. Mas depois que eu fui me profissionalizando e estudando a fundo a blogosfera eu vi que precisaria "dar um passo adiante". Como na época eu era editor do Meiobit Games, então eu decidi abrir um blog específico em desenvolvimento de jogos e deixar a parte mais importante de games pro blog de games do Meiobit Games. Aí surgiu o GameDevBR.
EArenaGames: E como é cobrir o cenário do desenvolvimento, especialmente no que se refere ao Brasil? Muitas dificuldades?
Rodrigo Flausino: Algumas dificuldades. A primeira é que a área, apesar de estar crescendo, não é tão desenvolvida como no exterior (
Como a área não é tão grande, não existem muitos eventos relacionados e, antigamente, a área era um pouco negligenciada pelas editoras de revistas e grandes portais.
Hoje dá pra perceber que estão criando mais eventos e as revistas estão olhando com mais carinho para a área, indo a empresas nacionais e comentando sobre os games que elas criam. Na primeira edição da EDGE e na EGW (da capa dos Beatles) eu vi mais matérias com jogos e empresas aqui do Brasil, com games para Nintendo DS, eventos de XNA e outros
Só que com as revistas elas têm mais facilidade e conseguem investimentos para ir às empresas e entrevistar os profissionais. No caso dos blogs é um pouco mais difícil conseguir acesso e conseguir entrevistas. Algumas vezes a gente consegue, mas é mais raro. Hoje eu vejo iniciativas excelentes como a da TecToy Digital convidando a imprensa e blogueiros a testar o “Zeebo Extreme”.
No ano passado isso seria impossível de ocorrer. Outras dificuldades são a parte financeira e a questão de não ter tanta divulgação e as empresas não terem canais próprios.
Só que essa questão de divulgação é bastante relativa, já que existem acordos da publisher (a empresa que financia o jogo) e da empresa desenvolvedora, o que elimina um pouco a divulgação maciça que a gente vê nos games do exterior e do hype que eles geram.
Aí como não tem muita divulgação eu acabo comentando pouco sobre os games nacionais. E também tento sempre comentar mais sobre os games de empresas conhecidas. Jogo todo mundo conseguiria fazer, mas divulgar todas as iniciativas indie pode ser um pouco complicado. O foco atual do GameDevBR é o Brasil. Antes não tinha muitos eventos e hoje tem mais, e sempre tento postar algo relacionado com a área. O ruim é que muitos eventos não tem tanta divulgação ou a divulgação é "na véspera", o que dificulta um pouco os leitores irem ao evento específico
EArenaGames: O que você tem a dizer, por exemplo, sobre iniciativas como o Global Game Jam e o XNA Challenge?
Rodrigo Flausino: São iniciativas excelentes, já que aqui o foco é mais indie e mais realista. Jogo é difícil de criar e como o tempo pra desenvolver é curto, a criatividade é colocada à prova nestes eventos. São jogos simples onde os desenvolvedores têm de ser criativos.
Esse é o foco que os estudantes têm de ter pra área: criar coisas simples e mais palpáveis, e não pensar em desenvolver um jogo online ou o próximo concorrente do “Need For Speed”. Esses jogos são criados por equipes grandes e orçamentos enormes, chegando à casa dos milhões de dólares. Aí um jogo indie pode ter um custo menor e pode ser melhor até que muito jogo grande. “Braid”, por exemplo, tem notas no MetaCritic maiores que muitos jogos com orçamentos enormes
EArenaGames: No Brasil, porém, há uma grande dificuldade de distribuição. A falta de publishers brasileiras dificulta a chegada dessa turma indie ao mercado, na sua opinião?
Rodrigo Flausino: O que dificulta entrar no mercado é que existem poucas empresas na área e poucas vagas especializadas. É raro eu ver empresas contratando, se resumindo a duas, três vagas pra alguns cargos. Acredito que as empresas vão direto aos cursos relacionados na área atrás dos profissionais, e não divulgam isso na internet.
No caso do desenvolvedor indie ele pode ter outras formas de renda, como ganhar com publicidade no Kongregate, ou, no caso de um modelador, tentar fazer outsourcing, mandando um modelo 3D para uma empresa indie do exterior. Tem um amigo meu que fazia isso e conseguiu experiência e hoje está numa empresa conceituada aqui no Brasil.
Um programador indie pode criar vários games e ter uma página de portfólio. Aí quando a vaga aparecer o portfólio pode ajudar a conseguir um emprego. Enquanto isso não acontece, ele pode ir estudando e criando games mais simples.
Participar de eventos também ajuda a conhecer outros profissionais e com certeza as empresas estão de olho nos eventos procurando um profissional que se destaque. Basta estar na área, participando de fóruns de discussão, criando games, estudando, etc.
EArenaGames: Rodrigo, aproveitando o gancho da publicação e dos eventos, vamos para área de atuação de seu outro blog, o Select Game. De que forma você vê o interesse dos não desenvolvedores (ou seja, público em geral) pelos bastidores do desenvolvimento? É maior ou menor que notícias sobre lançamento, por exemplo?
Rodrigo Flausino: Hoje o interesse é maior, já que muitos jogadores estão vendo a área como uma futura profissão. Eu vejo nos fóruns de games que o pessoal comenta e discute mais sobre a parte de desenvolvimento.
Teve um post do Meiobit Games que gostei dos comentários, com o pessoal comentando de forma bastante técnica sobre o problema dos "personagens carecas". Mas também o público normal não se preocupa tanto com os games brasileiros. Quem está antenado com a blogosfera gamer tem mais interesse nos jogos do Brasil e desenvolvimento, mas o público normal não está muito preocupado com isso
EArenaGames: Já que falamos no Select Game, conte-nos quem trabalha no blog e quais assuntos mais gostam de abordar dentro do mundo dos games?
Rodrigo Flausino: Várias pessoas já passaram no blog, mas os principais sou eu, o Gustavo Vasconcelos (conhecido como Tango) e o Sérgio Lopes, que entrou depois e hoje é editor. Os assuntos a gente acaba nos focando mais no Playstation 3, já que é o console que a gente tem. O Sérgio tem também um Nintendo Wii, e com isso ele comenta bem sobre os games pro console da Nintendo.
EArenaGames: Acha que essa chegada da Sony e da Microsoft com aparatos de reconhecimento de movimento pode tirar a vantagem que a Nintendo tem hoje, em relação a vendagem de consoles?
Rodrigo Flausino: Na questão da Sony pode não haver tanta diferença. O problema maior do PS3 no exterior é o preço e um controle não vai conseguir o mercado do Nintendo Wii. Até a Sony acaba se focando um pouco mais em hardcores. Já a Microsoft, quando o Project Natal for lançado, será o maior concorrente da Nintendo.
Essa tecnologia é um avanço enorme para a área e com certeza ela irá ganhar terreno. Mas existe aquela história de que pode não funcionar tão bem e ainda falta muito tempo até ser lançado. Só que aí a Nintendo continua crescendo e pode ser difícil pra Microsoft alcançar a BigN.
EArenaGames: Rodrigo, estamos chegando ao final da nossa entrevista. Gostaria de pedir uma mensagem sua para quem lê esse entrevista agora no EArenaGames
Rodrigo Flausino: Agradeço muito pela oportunidade. Acaba sendo um reconhecimento pelo trabalho que eu exerço nos blogs. Apesar de alguns vacilos (errar é humano!) eu tento sempre dar o melhor de mim nos blogs e tento sempre crescer profissionalmente e na vida pessoal.
Contatos: Select Game / GameDevBR / Twitter Pessoal / Twitter Select Game
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