Conversamos com Fabio Santana, editor da recém-chegada edição brasileira da mais renomada revista de games do mundo.
Por Márcio Filho
Há pouco mais de três semanas, causou estardalhaço na mídia brasileira a notícia que a Editora Europa traria ao Brasil a marca de uma das mais consagradas revistas de games do mundo: a britânica Edge.
Com mais de 15 anos de história e matérias exclusivas, com linguajar adulto e muito do backstage do mundo dos games, a Edge conquistou espaço cativo entre as melhores do mundo, e agora chega ao Brasil para mostrar o amadurecimento do mercado.
Para saber mais sobre a nova empreitada da Editora Europa, o processo de licenciamento da marca, conteúdo e muitos outros detalhes, conversamos com um Editor da publicação no Brasil, um dos mais antigos e competentes jornalistas de games do país, Fábio Santana, que juntamente com o igualmente gabaritado Gustavo Petró, tocará a versão tupiniquim da EDGE.
Impossível não conferir!
EArenaGames: Fábio, inicialmente, gostaria de agradecer a entrevista concedida!
Fábio Santana: O prazer é meu em falar contigo e, por minha vez, parabenizo-o pela iniciativa do EArenaGames.com.br, com sua promissora e necessária proposta de falar sobre a cena brasileira de jogos.
EArenaGames: Vamos começar do começo: conte para os leitores um pouco mais sobre a EDGE e sua envergadura no cenário mundial.
Fábio Santana: A Edge é uma revista britânica multiformato publicada desde 1993. É conhecida por seu jornalismo crítico e opinativo, por sua abordagem séria e madura, e por isso é tem autoridade amplamente reconhecida. Apresenta todos os meses matérias com estúdios e personalidades do mundo todo, com visual sofisticado e informações relevantes. Trata não apenas dos jogos, mas de todo o universo que os permeia: o mercado, a indústria, a cultura, o estudo, o desenvolvimento...
Por essas razões, construiu uma reputação inatacável e tornou-se a publicação favorita de profissionais da indústria e leitores exigentes. Agora a marca chega ao Brasil para oferecer toda a qualidade inerente ao nome Edge.
EArenaGames: E como foi esse processo de trazer a marca ao país, sabendo do 'descrédito' - devido a famosa combinação 'impostos altos+pirataria' - que o mercado internacional tem para com o Brasil?
Fábio Santana: Os presentes entraves ao desenvolvimento do setor no Brasil não têm impedido as empresas de investir no País. Ainda que timidamente, vemos constantes avanços em nosso mercado de games, seja de capital estrangeiro (como a abertura do estúdio da Ubisoft ou das redes Gamers e Proximo Games), seja de investimentos internos (como a abertura de redes de locadoras online ou a criação e venda de jogos MMO).
Enfim, o segmento de jogos no Brasil só tem crescido, à revelia da tendência mundial em tempo de crise. Assim, as empresas têm, cada vez mais, percebido que é necessário investir aqui, crescer e fazer crescer, para que os problemas sejam depois resolvidos. Há potencial para isso, e a Editora Europa é uma dessas empresas que acreditam no mercado, valorizam a público e estão fazendo acontecer. Prova disso é a criação de mais um título original segmentado, a revista OLD!Gamer, dedicada a jogos retro, e o lançamento da edição brasileira de Edge.
A negociação para licenciar o título da Future Publishing UK se estendeu por meses, já que há um zelo muito grande com a marca, mas o histórico e o perfil da Editora Europa, que já licencia, com muito sucesso, diversos títulos da companhia inglesa, foram determinantes para tornar real a edição brasileira de Edge.
EArenaGames: Um sinal não só da grandeza da Editora Europa como também do claro amadurecimento do mercado, não?
Fábio Santana: Uma feliz conjunção de fatores, uma espiral ascendente que aquece o mercado e eleva consigo quem acredita nele e sabe atender às necessidades do público.
EArenaGames: EDGE no Brasil. Sem dúvida, um dos grandes atrativos para o público vai ser o conteúdo licenciado. Porém, não há dúvidas que a equipe de qualidade que compõe o time da revista também fará um material fantástico para a versão brasileira. O que o leitor pode esperar desse casamento entre uma valorosa equipe brasileira e uma grande marca internacional?
Fábio Santana: Em primeiro lugar, uma seleção primorosa e uma tradução de qualidade para o conteúdo publicado na edição britânica, já que, por fatores como a participação atual do Brasil no share mundial e a consequente desvantagem que temos na lista de prioridades da maioria das produtoras, dificilmente jornalistas brasileiros têm o acesso fácil e constante que a redação da Edge, por exemplo, tem. Batalhamos e já conquistamos atenção lá fora, mas, como região econômica de interesse, ainda estamos apenas começando. Então é bom poder oferecer uma matéria, para citar um exemplo imediato, como a que estampa a capa da primeira edição, com visita ao estúdio da Square Enix em Tóquio para conversar com os produtores de Final Fantasy XIII.
Mas é verdade também que criaremos conteúdo original, e, nesse aspecto, visamos priorizar a relevância e a qualidade, para não produzir matérias com a única razão de ter conteúdo brasileiro e para oferecer uma qualidade homogênea, em linha com a produção estrangeira.
EArenaGames: Fábio, já que estamos em território brasileiro, continuemos a tratar do tema. Foi anunciada, recentemente, a mudança da EGM para EGW, visto que não havia mais sentido licenciar uma marca que não existia. Como fica o mercado com essas duas revistas?
Fábio Santana: Com o mercado brasileiro de games movimentado, há demanda a ser atendida, então é natural que diversos produtos coexistam e compitam por esse público. É saudável para o mercado e incentiva a melhoria constante dos produtos, o que é interessante para o consumidor. O público comprador de revistas de games é amplo e heterogêneo, então é bom que haja publicações diferentes para atender cada audiência.
Nosso público-alvo é o jogador adulto, consumidor ávido de jogos, apaixonado pelo assunto, formador de opinião. Também o profissional da indústria e os interessados em ingressar na área. Trabalharemos para atender, satisfazer e surpreender este público.
EArenaGames: Já finalizando, vamos aos detalhes: Preço, Periodicidade, número de páginas da revista, tipo de papel e quando os leitores podem comprar a nº 1?
Fábio Santana: A edição brasileira de Edge é mensal e visa replicar a impressão visual da original britânica: terá um papel de maior espessura na capa, verniz, cor especial e layout elegante, envolvendo com requinte 100 páginas de conteúdo igualmente primoroso. Um material sob medida para colecionadores. Por esse tratamento que valoriza a experiência tátil e visual, um preço de capa de R$ 14,90.
Mas faremos constantemente promoções de assinatura, como a especial que está ainda disponível em http://www.europanet.com.br/assinaturas/. A primeira edição tem previsão de chegada às bancas para o dia 5 de junho, e depois aproximadamente nesta época de cada mês.
EArenaGames: Fábio, queria agradecer a sua atenção e deixar aberto o espaço para sua mensagem final ao leitores dessa entrevista no EArenaGames.com.br
Fábio Santana: Eu é que agradeço pelo convite e faço também um convite a você e aos leitores: se tiverem a oportunidade de apreciar a primeira edição de Edge, por favor, entrem em contato com suas críticas e sugestões. Somente com essa aproximação é que poderemos moldar a revista ao gosto do nosso leitor.
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