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Blogando o Brasil dos Games. Episódio #8: Daniel Berton.

A cabeça pensante por trás do BlogMMO!

 

Por Thiago Netto

 

Durante anos, os games foram acusados de serem armas para isolar as pessoas em casa. Quem jogava era "antissocial" e psicólogos condenavam o uso do game.

 

Hoje, com a explosão dos jogos e o surgimento dos MMOs (Massive Multiplayer Online) em suas diversas formas e gêneros, a acusação toma contornos cada vez mais infundados. Especialmente quando ouvimos os casos de casamentos e amizades duradouras que começaram através de um PvP.

 

Foi sobre isso e muito mais que conversamos com Daniel Berton, mente pensante por trás do BlogMMO, onde ele retrata as novidades sobre os MMOs, faz promoções e emite suas firmes opiniões sobre o gênero.

 

Daniel Berton, mente pensante por trás do BlogMMO,

que garante não estar assim por ter jogado demais!

 

EArenaGames: Queria começar agradecendo a você pela entrevista concedida e perguntar como começou sua história com os games e em que momento surgiu e ideia do blog?

 

Daniel Berton: Eu lembro que o primeiro contato que eu tive com um MMO era na revista BIG alguma coisa, ela trazia uma notinha falando sobre o “Ultima Online”, que era jogado pela internet, isso lá em 1900 e lá vem Cabral (chuto um 1996). Eu li também em outra reportagem contando sobre o Lineage, em que você fazia parte de um exercito de milhares de pessoas, em uma guerra na internet e na época a minha internet era na discada, eu tentei entrar no site, mas não consegui baixar.

Em 2000, eu tava passando na frente de uma banca de revista e vi uma daquelas revistas com cd encartados, com 100 jogos online. Como eu não entendia muito bem o que era aquilo, eu comprei a revista. Eu a comprei na praia e trouxe para a minha cidade, escondido da minha mãe, dentro da mala (ela não gostava que eu comprasse essas revistas). Isso foi em 1998 e eu fui vasculhando o cd, instalei uns 50, mas o que eu mais gostei foi dos RPGs online, principalmente, o “Tíbia” (naquela época ele era top).

Eu fui buscando mais informações sobre esses jogos, pois eu era fascinado pela característica social que eles tinham, poder conversar com outras pessoas, poder interagir com outros players, coisa que eu não fazia ideia do que era.

Eu acabei virando moderador de uma comunidade no Orkut e, por causa disso, outro moderador veio falar comigo sobre criar um blog. Eu gostei da ideia, mas eu desconhecia um pouco de como um blog funcionava. Então estudei um pouco sobre o assunto, pesquisei, e acabei achando umas ferramentas legais.

O outro moderador foi pelo lado contrario: Ele foi procurando coisas prontas, com aqueles fundos toscos pré-montados. Eu não me sentia muito a vontade com aquilo, pois eu tinha imaginado algo grande, não queria ser "mais um".

Então eu acabei criando um blog no blogspot (finado, já apaguei ele) com o nome ao contrario: MMO Blog. Eu fui arrumando as coisas, mas ainda não estava satisfeito. Estudei mais um pouco e descobri o Wordpress.com, e migrei pra ele. Nisso eu já estava sozinho, o outro amigo já tinha abandonado. Então eu fui pensando em coisas maiores, e esbarrei em algumas limitações. Então tomei uma decisão ou vai ou racha: Ou migrava pra um servidor pago ou desistia do projeto.

Então acabei migrando pra um host pago, tive que mudar o nome do blog para Blog MMO e a cada dia eu vou melhorando ele, com ideias que eu tenho e com algumas dicas que eu recebo

 

EArenaGames: Daniel, você falou do lado social dos games. Como encara as críticas de que games são isolantes sociais?

 

Daniel Berton: Uma das áreas dos games que mais recebe esse tipo de crítica são os MMOs. Isso por que a pessoa tem que se dedicar de certo modo pra poder se tornar relevante dentro do jogo. E isso faz com que certas pessoas acabem esquecendo o "outro lado" para poder investir em algo que lhe dê prazer. Existem sim as pessoas que são viciadas em games, mas isso não é padrão. São notícias de coreanos que morrem do coração por excesso de tempo na frente do computador que fazem que toda uma classe torne-se mal vista. Mas tudo o que se precisa é de autocontrole e um despertador do lado do PC =D

 

EArenaGames: Você acredita que as pessoas consigam fazer amizades e construir relacionamentos através dos games?

 

Daniel Berton: Eu sou uma prova viva disso. Eu já fiz muitos amigos dentro dos games, que eu acabei conhecendo pessoalmente. E tenho amigos que moram longe (Um no Maceió e outro em Belém) nos quais eu possuo total confiança, visto que eu já convivo com eles por meio dos jogos. Existe até casos de pessoas que se casaram após se conhecerem online. Amigos online são um tipo diferente de amigo, pois mesmo não conhecendo essa pessoa pessoalmente, você cria um afeto por essa amizade. Eu digo que ambientes online são ideais para se arranjar amigos, pois eles possuem os mesmos gostos que você, os mesmos objetivos. Fica muito mais fácil fazer amigos, mas desde que você saiba onde procurar.

 

EArenaGames: Falando em amizades: É comum você encontrar com seus leitores em partidas online? Que games costuma jogar?

 

Daniel Berton: Eu realmente tenho vontade de jogar com os leitores, mas é um tanto difícil, pois existem N jogos online. Uns gostam de MMOFPS , outros de MMORPG, outros de casual. Eu também tenho um problema de não me fixar em um jogo específico. Como a variedade é imensa, eu sempre fico com vontade de testar todos os que eu vejo. Mas existem jogos que eu sempre volto a jogar, depois de um tempo parado: “Ragnarok”, “World of Warcraft” e (me apedrejem) “Tíbia”. Eu lembro um caso que eu estava jogando, e um cara da guilda veio me perguntar se era eu o dono do blog, e veio falar (Ah, aquele do dente torto! ). Isso dá certa alegria, pois sabe que o seu trabalho é reconhecido e admirado.

 

EArenaGames: Já que gosta tanto de jogar várias tipos de MMO, para você, qual é o melhor MMO de todos os tempos? E o pior?

 

Daniel Berton: Nessa pergunta existe uma briga feia. Eu não posso dizer qual é o melhor MMO, pois não testei todos, e que cada um possui uma característica diferente, de acordo com o que você espera do jogo. Mas um que eu posso falar que realmente é bom é o “Ragnarok”. Ele possui um sistema balanceado entre as profissões que você escolhe, existem guerras pelo controle de castelos, existe o fator amizade e a caça de chefões. E ele é um jogo antigo, que ainda não perdeu o brilho, provando a sua qualidade. Existem os problemas que as pessoas que conhece o jogo sabem de cor, mas isso não é um problema do jogo em si. Já o pior, existem muitos, cada um por um motivo diferente. Eu particularmente não suporto “Priston Tale”, que foi o segundo MMO que eu joguei na vida (o primeiro foi “Tíbia”), que eu comecei quando ele ainda estava em fase de testes nos Estados Unidos. Na época ele era legal, pois tinha gráficos 3D. Hoje ele ainda é famoso, mas não oferece nada para o jogador além de matar, matar e matar (o famoso grind).

 

EArenaGames: Já que falamos de MMOs do exterior e do Brasil, vale perguntar: recentemente, foi anunciada a chegada no Brasil dos games "Asda Story" e "Kart & Crazy", MMOs casuais de sucesso na Coréia. O que esperar desses games? Já ouviu falar deles?

 

Daniel Berton: Uma coisa que as empresas no Brasil devem aprender é que o que é sucesso no exterior pode ser um fiasco aqui no Brasil, pois a cultura é diferente. Mas eu já tinha ouvido falar sobre esses jogos, mas nunca joguei. “Kart&Crazy” pode ser que seja bem aceito no Brasil, pois é um MMO de corrida, um tipo de jogo que o brasileiro gosta. As pessoas querem ver algo diferente, pois um grande problema nessa área é que os jogos são muito parecidos entre eles. “Asda Story” pode ser que tenha sucesso, se for feito um grande projeto de marketing em cima dele, pois ele adiciona poucas características diferentes dos outros jogos. Mas, nesse mundo dos games, nunca diga nunca.

 

EArenaGames: Para você, o que falta para o Brasil ser uma potência no ramo dos MMO, no que diz respeito à participação nos campeonatos?

 

Daniel Berton: Eu acho de que precisa de uma maior divulgação. Vamos a um exemplo: Fale o nome de um clã de CS [Counter-Strike]: A mais conhecida é a MiBr. Agora me fale o nome de um clã de “Ragnarok”? Difícil né? Existem sim os campeonatos oficiais, mas mesmo dentro da comunidade eles são poucos divulgados. Por incrível que pareça, é até comum as pessoas desconhecerem que existam campeonatos oficiais de MMO. Está certo que um MMO não é tão famoso como o “CS”, mas temos que tentar ser relevantes. Temos que mostrar as conquistas brasileiras, divulgar, fazer barulho. Só assim para acordar as pessoas para essa outra área. Existe também o fator de dedicação. Na Coréia, os jovens são pagos para poder treinar e conquistar medalhas. É uma realidade diferente da nossa, já que aqui a pessoa tem que desembolsar dinheiro para poder jogar/treinar. É uma concorrência desleal isso, mas nada que uma empresa que resolva ter "medidas sociais" e patrocinar uma equipe não consiga resolver o problema.

 

EArenaGames: Por último, saindo um pouco da frente do PC: Costuma jogar nos consoles? Sente falta do gênero MMO neles?

 

Daniel Berton: Falando em console, eu comprei na época o Dreamcast, justamente o primeiro videogame lançado que dava para se conectar na internet. Eu joguei poucos games online nele, já que ele possuía um modem, não uma placa de rede, deixando o jogo lerdo, já que era na [internet] discada. Atualmente eu possuo um Playstation 2, e costumo jogar alguns jogos onlines. Ele possuía alguns MMOs, mas a maioria foi descontinuada, já que eram bem antigos. Eu vejo que as empresas agora resolveram fazer MMOs para os consoles, coisa difícil de ver antigamente. São alguns motivos que levaram eles a pensar nisso. Um deles é a grande melhora que a conectividade entre usuários teve nessa. Os três consoles dessa geração possuem uma interface online, onde o jogador pode comprar jogos, interagir com players, criar seus avatares. Isso em si já seria um MMO. Outro fator é que é mais difícil piratear um MMO no console. Como é preciso se conectar ao servidor da empresa, eles podem ter um controle maior sobre quem joga.

Além, claro, dos ganhos, já que a maioria cobra mensalidade. Nos jogos comuns, a pessoa compra o game somente uma vez. Já no MMO é difícil acontecer, pois todo mês a pessoa tem que pagar uma quantia para continuar jogando. E ganhar dinheiro sempre é bom, ainda mais essas empresas “dinheristas”. Rs.

 

EArenaGames: Daniel, estamos finalizando nossa entrevista. Peço para que deixe uma mensagem para turma que lê a gente no EArena Games agora.

 

Daniel Berton: Pensem grande. Uma das frases que me motivaram a correr atrás dos meus objetivos é "Se quiser fazer um nome, faça um serviço bem feito". Procure ter um diferencial, fuja do normal. E uma coisa para quem quiser começar a jogar um MMO: Procure ajuda em fóruns especializados, lá é uma fonte segura de ajuda e de amigos. E se for mesmo começar a jogar, convide um amigo, pois jogar sozinho um MMO é a mesma coisa que jogar um Single Player (só que mais difícil).

 

E obrigado pela entrevista!

 

Acompanham também o Daniel no Twiiter: @magaiverpr

 

Saiba mais sobre a série "Blogando o Brasil dos Games".



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